Qual o melhor tratamento em portadoras de endometriose?

Uma das principais causas da infertilidade é a endometriose. Estima-se que 47% das pacientes inférteis foram diagnosticadas com essa patologia. Além disso, estima-se que atualmente ao menos 25% de todas as mulheres aos 30 anos apresentam endometriose e entre estas, 30% a 50% são infé
rteis.
A razão mais provável relacionada a diminuição da concepção refere-se ao dano anatômico dos órgãos pélvicos, principalmente em caso de doença avançada. Outros fatores, como a possível deficiência de ovulação, alterações inflamatórias que acontecem na pelve, além de falhas de implantação do embrião e abortamentos precoces são frequentes em portadoras de endometriose.

Apesar de toda evidência de que a endometriose possa afetar o número de óvulos produzidos, a qualidade dos embriões formados e a evolução da gestação, vários estudos clínicos não conseguiram relacionar o estágio da endometriose aos resultados em ciclos de reprodução assistida.

Assim, quando avaliamos uma paciente com endometriose e infertilidade, devemos levar em consideração a idade, duração da infertilidade, história familiar, presença de dor associada ao estadiamento da doença a fim de formular uma melhor estratégia de tratamento.

Portanto, em mulheres submetidas a procedimento cirúrgico com diagnóstico de doença estágios I e II (mínima e leve) com tubas uterinas pérvias, a excisão completa dos focos seguido de indução de ovulação com coito programado (que consiste no uso de medicações para indução de ovulação acompanhada de ultrassonografia transvaginal seriada para controle de ovulação, isto é, medição dos folículos até que estes alcancem um tamanho de 20mm e após isto programa-se a relação sexual, por isso o nome Coito Programado ou Namoro Programado)  e inseminação intrauterina (IIU - que consiste no mesmo princípio do Coito Programado, porém quando os folículos atingirem o tamanho de 20mm, é realizado um preparo de sémen no qual somente os espermatozoides móveis e progressivos são inseminados no útero da paciente) devem ser considerados , principalmente em pacientes com idade inferior a 35 anos.

No entanto, pacientes com 35 anos ou mais, e que apresentem uma baixa resposta ovulatória ao estímulo ou tubas uterinas fechadas, devem ser preferencialmente tratadas através das técnicas de maior complexidade, como FIV (Fertilização in-vitro) ou ICSI (Injeção intra-citoplasmática de espermatozoide)

No entanto, em mulheres com endometriose estágios III (moderada) ou IV (grave) a FIV ou o ICSI (que consiste na micro-injeção de um único espermatozoide no citoplasma do oócito-óvulo) devem ser indicadas como primeira linha de tratamento complementar para a infertilidade após abordagem cirúrgica, por fornecerem melhores taxas de sucesso.


 

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